Agricultura de Sequeiro
A Bacia tem 64 milhões de hectares, dos quais 40% são aproveitáveis em agricultura, portanto, 25,6 milhões de hectares.
A agricultura de sequeiro é praticada em todo o Vale, principalmente no Alto e Médio São Francisco, onde as chuvas são mais abundantes e regulares. O Submédio São Francisco é o que tem maiores limitações para esse tipo de atividade por estar toda a região incluída no sem-árido.
A parte inferior do Médio São Francisco já penetra no semi-árido, passando por problemas idênticos aos do Submédio.
Apesar disso, a região da Bacia do São Francisco detém algumas marcas:
Feijão
O Vale do São Francisco é o maior produtor de feijão (faseolus ou mulatinho) do Nordeste, graças à região de Irecê, na Bahia, cuja produção ultrapassa as necessidades do Nordeste e ainda exporta para o sul do país.
Em alguns anos há frustração, pois ali o feijão é cultivado em sequeiro, isto é, com chuvas, as quais sendo irregulares, provocam perdas em alguns anos.
A região denominada Platô de Irecê tem ótimos solos e engloba mais de 10 municípios, entre os quais o próprio Irecê, Presidente Dutra, Central, Uibaí, Lapão, Canal João Dourado, América Dourada, Ibititá, São Gabriel e outros, cobrindo uma área de 120.000 hectares, localizados entre os afluentes rio Verde e Jacaré.
Feijão (Vigna) - O Vale do afluente do Paramirim é grande produtor de feijão macassar, ou de corda. Sobressaem-se os municípios de Macaúbas, Ibipitanga, Rio do Pires e outros.
Algodão
É ainda o Vale do São Francisco o primeiro produtor de algodão, o qual é cultivado desde o Norte de minas, nos vales do Gorutuba, Verde Grande, Verde Pequeno, incluindo os municípios de Porteirinha, Mato Verde, Espinosa, Janaúba, Capitão Eneas e outros, e se espalha aí pela Bahia nos municípios de Sebastião Laranjeiras, Urandi, Palmas de Monte Alto, Guanambi, Riacho de Santana, Pindaí, Candiba, Malhada, Iuiu e outros.
Há nessa região grandes cotonicultores (plantadores de algodão) que chegam a plantar individualmente 4.000
hectares de algodão, utilizando para isto tecnologia moderna, como aviação agrícola.
A lavoura de algodão é grande demandante de mão-de-obra, gerando muitos empregos apesar da sazonalidade. Também gera crescimento industrial, para beneficiamento da fibra e extração de óleo.
Soja
O São Francisco é também o maior produtor de soja do Nordeste. Somente o oeste da Bahia, nos vales dos rios Grande e Corrente, é hoje responsável por 2,5% da produção nacional de grãos.
As duas regiões mais importantes na produção de soja no São Francisco são o oeste da Bahia e o oeste de Minas Gerais, onde em ambas predominam os solos de cerrado. Em Minas Gerais, nos cerrados dos Vales do Paracatu, Urucuia e Carinhanha, grandes áreas são plantadas com essa leguminosa, e na Bahia mais de 1 milhão de hectares são plantados anualmente.
Dado o alto grau de mecanização exigido, a soja é plantada em grandes áreas contínuas. Daí porque hoje os cerrados são detentores de grandes propriedades. A lavoura da soja na Bahia foi introduzida por famílias do Sul (Paraná e Rio Grande do Sul) que migraram em busca de terra. Cerca de 6.000 famílias ali se localizaram, adquirindo terras baratas, pois aquelas campinas de cerrado não tinham nenhum valor. Um grande aparato as acompanhou. Escritórios de planejamento e assistência técnica, empresas de revenda de máquinas, redes de restaurantes, oficinas, etc. Se nas suas cidades de origem a propriedade média dessas famílias era de 60 hectares, na Bahia, no São Francisco, o tamanho médio passou a 500 hectares.
A cidade de Barreiras saltou em 10 anos de 25 mil habitantes para 80 mil. O cerrado foi cortado por estradas e na sua planura ressaltam ao longe os reflexos do sol nos telhados de zinco dos grandes silos graneleiros instalados nas fazendas. 0 pequeno povoado de Mimoso do Oeste tornou-se a maior vila do Estado, onde todos os serviços, ou a maioria deles, eram administrados por uma cooperativa, desde a energia até a escola. De tão próspera a vila tornou-se cidade, recebendo o nome de Luís Eduardo Magalhães, filho falecido do grande político baiano Antônio Carlos Magalhães.
Milho
A lavoura de milho no São Francisco cresceu bastante com o advento da soja e conseqüente expansão da fronteira agrícola, o que praticamente triplicou a safra de volume.
É também praticada em sequeiro e em consequência do seu aumento outras atividades são atraídas para as regiões produtoras. Onde há abundância de milho e água, há sempre boas condições para a avicultura e suinocultura. Essas duas atividades já se iniciam por grandes empresas que se instalam no oeste da Bahia e de Minas Gerais, nos vales dos afluentes Rio Grande e Paracatu, respectivamente.
Arroz
O arroz antecede a soja, na abertura do plantio. Nos solos de cerrado não ocorre boa safra de soja, no primeiro ano, por conta da grande acidez do solo. Logo após o desmatamento é necessário aplicar calcáreo em cerca de 4.000 kg/ha, para corrigir a acidez. São grandes áreas de l.000 hectares em média que são plantadas com arroz como cultura desbravante, para evitar que a área fique descoberta, recebendo chuvas torrenciais, e sofra erosão. São 300 a 400 mil hectares, que produzem de 300 a 1.200 toneladas de arroz anualmente. Isso fez com que grandes equipamentos de beneficiamento fossem espalhados por toda a região.
Cultura de Subsistência
É do conhecimento de todos que o grande abastecedor interno é o pequeno produtor que vende o excedente do consumo, sendo no Vale do São Francisco muito importante essa lavoura, notadamente o feijão vigna ou feijão de corda, o mulatinho, o milho, o arroz, a batata doce e outras cultivadas de vazante e com chuvas locais.
Mandioca
A mandioca para produção de farinha é presente em todo pequeno estabelecimento agrícola do Nordeste, especialmente do Vale do São Francisco nas ilhas e terrenos de vazante. É a principal atividade dos pequenos produtores. Diz-se que a farinha do Vale tem uma variação muito grande de qualidade, de ano para ano, porque o aproveitamento da mandioca depende muito da enchente. Por ser plantada nas vazantes principalmente das ilhas em anos de enchentes grandes, os agricultores são obrigados a arrancar toda a mandioca de uma vez, ficando muita quantidade amontoada para ser beneficiada, o que tira a qualidade do produto. É a alimentação básica do ribeirinho e do caatingueiro.
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