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Cinqüenta anos de vida útil. Porte majestoso que pode chegar até quinze metros de altura. Ampla cobertura, com frondosa sombra arredondada. E de onde tudo se aproveita. É a mais típica das frutas nordestinas, porque é natural e originária de zonas arenosas e litorâneas, enfim, o Caju é um nativo do nordeste brasileiro. O nome vem do tupi “acaiu” que significa fruto amarelo. Pelas características de que tudo nele se aproveita, como o suco, o bagaço, a casca, a árvore, as folhas e flores e, principalmente, a amêndoa, a cajucultura é hoje uma atividade agrícola de muita importância para o desempenho sócio-econômico da região.
O caju tem vários tipos e se diferencia pela cor podendo ser amarelo, vermelho, manteiga, banana, maçã e travoso. As propriedades nutricionais da fruta se destacam pela alta dose de vitamina C. Para se reproduzir podem ser usadas mudas, sementes, enxertia e estaquia. A planta exige solo com leve inclinação e de fácil drenagem, deve ter um ph entre 5,5 e 6,5. Para um bom desenvolvimento da árvore o produtor precisa fazer podas anuais com eliminação das partes da planta danificadas, secas ou com algum tipo de praga e fungo. No manejo da safra, os frutos devem ser colhidos entre 60 e 75 dias após a floração.
A plantação de caju, no Brasil, vem apresentando crescimento significativo, nos últimos anos. O setor se revelou forte em patrocinar renda para os agricultores e flexível na abertura de novas vagas de emprego. O nordeste é onde se produz mais caju, no país. O estado líder em produção é o Ceará com 108.000 toneladas por safra e uma área plantada de 365.000 hectares, segundo dados do IBGE para a Produção Agrícola Municipal, pesquisa realizada em 2003. Mas é no Piauí onde a lavoura tem conquistado a adesão dos agricultores e ampliado sua área de cultivo. Atualmente, o Piauí é o segundo colocado em produção, chegando a 27.000 toneladas, colhidas em 155.000 hectares de plantações. Os dados preliminares de pesquisas sobre a cultura, no entanto, podem prever um crescimento de mais de 100.000 hectares na área de plantio, principalmente no sudeste do Estado.
O desenvolvimento da cultura na região despertou o interesse dos órgãos de pesquisas científicas e estimulou novos projetos de estímulo à produtividade. O resultado é que as pesquisas e novas técnicas de cultivo e beneficiamento estão mudando o panorama no setor de produção de caju e castanha, em toda região. A Embrapa tem estimulado os pequenos produtores a desenvolverem atividades de associativismo e cooperativismo, proporcionando assim que eles possam ganhar os benefícios do seu próprio esforço e trabalho, o que caracteriza um outro diferencial importante: as mudanças das relações trabalhistas.
Para que essas mudanças pudessem ocorrer era preciso desenvolver mecanismos que permitissem aos pequenos produtores sair da dependência das grandes indústrias. Foi aí que surgiram as mini fábricas de beneficiamento de castanha de caju, desenvolvidas pela Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza, no Ceará. Hoje as mini-fábricas representam uma alternativa de emprego e renda para os trabalhadores que vivem da agricultura familiar. A adoção das mini fábricas aumentou a renda do pequeno produtor em R$ 654,00 por tonelada. Sem realizar o processamento da castanha, o produtor receberia uma renda líquida estimada de R$ 423,00 por tonelada, enquanto a sua inserção nas mini-fábricas renderia R$ 1.077,00 por tonelada. Um aumento de 155%.
Com essa mudança de conduta, o setor acabou criando uma nova geração de emprego e em conseqüência, um aumento da renda no campo. A tecnologia transferida aos produtores pela Embrapa Agroindústria Tropical promoveu cerca de 1.220 empregos diretos e 6.100 empregos indiretos na Região Nordeste. O modelo adotado pela nova tecnologia é o “agroindustrial múltiplo de processamento e comercialização de amêndoa de castanha de caju”. A idéia é associar as mini fábricas ligadas a uma Unidade Central, responsável pela compra, embalagem e comercialização das amêndoas de castanha de caju. O produto final acaba tendo uma padronização e custos reduzidos, aumentando, inclusive, a quantidade de amêndoas aproveitadas. A conseqüência imediata é a inclusão de pequenas e médias agroindústrias no mercado consumidor, em condições de competitividade com outros segmentos mais avançados. A implantação deste modelo já mudou a realidade de algumas comunidades no Nordeste, como é o caso de Barreira, no Estado do Ceará. Lá, são 18 mini fábricas de pequeno e médio porte, que empregam quase 500 pessoas.
Antes da introdução das mini fábricas, os pequenos produtores exerciam o papel de fornecedores de castanha “in natura” para as grandes indústrias. Agora, as pequenas comunidades beneficiam suas próprias castanhas e ainda adquirem matéria-prima de pomares vizinhos. O corte mecanizado das castanhas na indústria tradicional ocasiona um índice aproximado de 55% de amêndoas inteiras. Já os equipamentos da mini fábrica, aliados ao processamento manual, elevam este índice para 85%, agregando valor ao produto. Só para se ter uma idéia, as amêndoas inteiras valem o dobro das quebradas.
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